PASTOTAL: LANÇANDO O PÃO SOBRE AS ÁGUAS

O FAROL Nº 1175 – De 9 a 15.5.10

Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás (Eclesiastes 11.1)

Certamente Você já teve a oportunidade de estar numa região agrícola, em fazenda ou sítio, ou mesmo um Parque arborizado em que tenha lago com tartarugas, peixes, gansos, marrecos, patos e outros do gênero. Perto de minha casa está o Parque Chico Mendes, mais ou menos assim. Gosto de passar um tempinho ali com minha família. Gosto de observar o lago. Um dos momentos que mais aprecio é o final de tarde, quando o sol está se pondo, e os últimos raios dourados batem na água como que ser despedindo. Estes momentos são preciosos e me fazem apreciar mais e mais a obra do Eterno. A água fica com tonalidade meio avermelhada, misturada com dourado, projetando em toda extensão do lago cores fantásticas. É neste belo cenário que aprecio outra coisa: atirar pedaços de pães para os marrecos, patos, gansos e peixes. Costumo levar um saquinho cheio para repartir com todos. É interessante esta dinâmica entre eles. Ao começar a lançar os pães no lago, e a bicharada está fora da água, percebe-se o correr frenético deles, o bater das asas, o vôo meio desajeitado para chegarem o mais rápido possível no local onde os pedaços de pães estão flutuando, misturando-se com as cores que o Eterno desenha nas águas. Depois, creio que já de barriguinha cheia, eles começam a se afastar do local de alimentação. Alguns voltam para terra seca, outros se aventuram ir para o meio do lago, outros ficam por ali mesmo. O interessante é que alguns pedaços de pães ficam flutuando na água. Sobraram. Nenhum se interessou por eles. E com o passar do tempo, a desintegração começa acontecer. O pão fica inchado, amolece e se dissolve. Alguns deles mergulham para nunca mais aparecerem na superfície.

Bem, olhando para a cena e para o verso base esta Pastoral, parece em primeiro plano algo absurdo o que lemos: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”. Ao ler este verso, parece que não condiz com a realidade. Tudo indica que, se encontrarmos novamente o pão depois de muitos dias na água, ele certamente estará derretido. Talvez o pão não dure muitos dias. A segunda parte do verso traz em si uma promessa: de recuperá-lo. A idéia aqui é de investimento. Mas como isso é possível? Para entender este verso é preciso recorrer a uma prática antiga dos egípcios, o modo de como  lançar as sementes em suas lavouras de trigo nas margens do rio Nilo. O Nilo é fonte de vida dos egípcios, que viviam basicamente da agricultura.  A bacia do Nilo ocupa a área de 3.349.000 km². Ele é o principal rio que banha o Egito, a Uganda e o Sudão. É o segundo maior rio do mundo em extensão com 6.650 km, perdendo apenas para o Rio Amazonas. No período das fortes chuvas (de junho a setembro), as cheias fazem o rio Nilo transbordar, encobrindo grandes extensões de terras nas suas margens, fenômeno que traz muitos benefícios:

a) fertilização do solo ao depositar matéria orgânica, fertilizante de primeira qualidade, adubo, em toda margem do Nilo.

b) grande quantidade de peixes e dava chance de boa pesca a milhares de barcos que navegavam em suas águas.

Assim, podemos entender o processo de “lançar pão sobre as águas”. Pão aqui se refere a sementes. Esta idéia me fez voltar muitos anos em minha memória, quando percorria os arrozais no sítio de um de meus tios, em Borda da Mata. Plantava-se arroz na várzea. Era o mesmo processo que o verso bíblico faz referencia.

Voltando às cheias do Nilo, na vazante as margens do rio ficavam cobertas por húmus – adubo natural, que dava ao solo a fertilidade necessária para o plantio. Quando as águas estavam baixando, eles lançavam as sementes de trigo e cevada tanto na margem do rio, como nas águas. As águas se encarregavam de levar as sementes, e depositá-las nas margens adubadas do Nilo. As sementes germinavam e nasciam transformando assim o cenário de uma boa plantação. É dentro deste contexto que podemos então entender esta figura de linguagem do verso 1: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”.

Olhando no sentido espiritual, a semente a ser lançada não é o pão alimento, pronto, feito de trigo, e nem as sementes de trigo ou da cevada, mas é o próprio Jesus, o Pão da vida. Em Jo 6.35: E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. Deus espera que eu e você venhamos a ser  semeadores da Palavra dEle na vida de outras pessoas que Ele nos permite conhecer e  com quem podemos conviver. É para fazer o bem, semear a Palavra, e sermos bênçãos na vida de outros. Em Gl 6:9, lemos: “E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos”. É a mesma idéia no Sl 126.5 e 6: “Os que semeiam em lágrimas colherá com alegria.  Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo a colheita”.

Diante desse entendimento, somos semeadores da Palavra de Deus, semeadores do “bom perfume de Jesus”, semeadores do próprio Jesus. É necessário um segundo entendimento: onde Ele espera que esta semente seja lançada? Onde Ele espera que nasça uma vistosa plantação que resulte em boa colheita?

Em primeiro lugar é em nossa própria vida. Antes de semear nas vidas dos outros, precisamos semear a vida de Cristo em nossa vida, no nosso cotidiano. O apostolo Paulo fala disto a Timóteo: Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres porque fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como os ouvintes” (I Tm 4.16) O apóstolo Paulo está orientando Timóteo a ter uma vida de oração, de meditação na Palavra, de santidade ao Senhor.

Em segundo lugar, semeadura e plantio em nossa família. Devemos investir em nossos entes queridos. Devemos orar com eles e por eles, compartilhar da Palavra, permitir que eles cresçam no Senhor. Devemos fazer de tudo para que isto aconteça.

E em terceiro lugar devemos investir em outras pessoas, o nosso próximo. Devemos ser bênçãos para as pessoas com quem Ele nos permite conviver diariamente. Como é que podemos então fazer estas semeaduras? Em nós mesmos no contato com a Palavra de Deus, no discipulado com os irmãos, nas células. Devemos também usar da influência que Ele nos dá para investirmos em outras pessoas. O nosso testemunho de vida conta muito e certamente será usado pelo Eterno para falar com o nosso próximo.

A Célula é um dos locais propícios para semear e colher os frutos. Como você está em relação a esta visão? Não desanime, persevere! Um ponto importante são as palavras que proferimos para outros. Deus quer que usemos palavras de bênçãos e não de maldição. E finalmente podemos abençoar os outros através dos nossos bens. Devemos pedir ao Pai a sensibilidade para ver as pessoas que estão próximas de nós e talvez passando por um momento de maior dificuldade. Devemos abrir o coração e o bolso quando ouvimos o apelo da Mesa Diaconal requisitando a nossa ajuda para trazer alimentos para comporem as cestas básicas.

Diante disso, permita-me levá-lo a refletir sobre:

  • Como anda a semeadura espiritual em sua vida?
  • Como anda a sua vida de oração e leitura da bíblia?
  • Como vai sua família?
  • Como está o seu relacionamento conjugal?
  • Como está seu relacionamento com os filhos ou com os pais?

Aquilo que depende de você, você tem conseguido fazer para que o pão seja lançado às águas?

Queridos, o Pai espera que lancemos nas águas o pão para que Ele possa fazer frutificar em colheita abundante. Que o Eterno lhe conceda as mais ricas bênçãos e que sua colheita seja na proporção que a Palavra menciona, ou seja, um para cem. Que o Eterno abençoe Você ricamente.


No amor do Mestre,

Pr. Elbem Sardinha


NOTA: Mensagem pregada na IEVY, no domingo 2.5.10.