Visão do Farol
“Vai pois agora, escreve isto numa tábua perante eles, e aponta-o num livro: para que fique escrito para o tempo por vir, para sempre e perpetuamente.” (Ísaías 30.8)
Parece ser de madrugada. Há uma neblina forte, bastante densa, ocultando às nossas vistas a cena que está diante de nós.
Percebemos apenas que estamos à beira do mar. É litoral. Não divisamos, porém, nada sobre as águas, nem mesmo a poucos metros das rochas que separam as águas da terra.
Percebemos um farol, bem antigo, à nossa esquerda, numa ponta de terra. Conseguimos entrar nesse farol. Parece abandonado a algum tempo já. Logo na entrada há uma pequena sala, ao nível do chão, muito pequena. Dali sai a escada que está em desuso. Está escuro lá dentro.
Uma mulher simples, calçando chinelos, toma um castiçal, com uma vela acesa, e sobe lentamente as escadas. Algumas pessoas a seguem, vagarosamente. Ao chegarem lá em cima, onde as paredes são de vidro, nota-se muita poeira velha nesses vidros, o que impede que a luz do farol seja enviada para fora. Há teias de aranha por toda parte, como marca característica de que há muito tempo não é iluminado e usado esse farol.
As pessoas que acompanham essa senhora começam a fazer, juntamente com ela, a limpeza dos vidros e do ambiente da sala. Lustram as vidraças. E a luz da vela começa lentamente a propagar seus raios para além da vidraça. A luz, a princípio fraca, vai se acentuando, pouco a pouco, até que, por todos os lados do farol é despejado foco radiante da luz.
Com a chegada dos raios penetrantes, a neblina começa a se desfazer, como no milagre da aurora, quando os raios tênues do sol expulsam as trevas da noite…
Pouco a pouco o espaço vai se limpando, a fumaça vai se afastando. Começa-se a ter uma pálida visão do que acontece no mar. Parece que há embarcações, que antes não víamos. Sim! Há várias delas. São pequenas, à vela. E, ao limpar-se a nossa visão, podem-se divisar melhor algumas delas. Até mesmo reconhecer alguém que as pilota.
Mas… o que estão fazendo as embarcações?
Começam a movimentar-se para buscar o alto mar. Uma a uma se preparam para a viagem, e vão deixando a costa, enquanto seus ocupantes cantam alegremente e acenam para despedir-se dos que ficam. Uma se vai. Logo mais outra embarcação se afasta. E mais uma. E outra. E outra mais. Muitas… Fazem-se ao Oceano. Atravessam-no. Chegam às costas da África, Europa, norte do Brasil. Entram pelo Amazonas. Sobem por seus afluentes e permeiam as terras brasileiras. Que influência maravilhosa!
Mas… o que é aquilo?
Parece que todas as embarcações estão unidas! Sim, de fato, todas elas estão presas a uma corda, um cabo que sai, único, de um orifício por baixo da porta de entrada do farol. Na pequena sala de entrada está colocado um homem, em frente a um grande rolo do cabo. Com suas mãos ele vai soltando o cabo, à medida que as embarcações precisam dele para ir mais além.
O Espírito de Deus diz:
-É o cabo da FÉ.
(…)
O tempo é passado. Estamos já do outro lado do mar. É uma imensa praia, muito dourada. Postado à praia há um grande coral, de vestes brancas, longas. Entoa um cântico belíssimo. Um varão muito singular, de vestes longas, o Filho de Deus, destaca-se à frente do coral. As embarcações começam a chegar. Param ao longe. Há um caminho estreito, como um cais, para uma só pessoa passar. Esse caminho leva da embarcação ao lugar onde está o coral. Os barquinhos chegam cheios, cheios, apinhados de gente. Estão todos felizes e sorridentes. Um a um, descem do barco e se encaminham para a praia. São recebido pelo Filho do Homem e passam imediatamente a fazer parte do grande coral! Aleluia!
(…)
O farol é a Igreja da Vila Yara. As embarcações são obras missionárias. O cabo da fé é o sustento de cada uma delas que sai daqui. Grande será a colheita de almas salvas para a vida eterna!
O que Deus espera do Farol? Vidas limpas, transparentes, para irradiar a sua luz. A luz que vem diretamente da sua Palavra. Quanto mais lida e amada e vivida, por vidas santificadas, tanto maior será a luz enviada às embarcações que se lançam ao alto mar.
Como estão os vidros do nosso Farol? Somos nós as vidraças. Estamos transparentes?
O pecado faz embaçar a nossa luz. Desejamos ser limpos? Queremos voltar ao primeiro amor, à obra a que fomos chamados?
Este é o ministério que o Senhor tem para este povo: vidas santas, reluzentes, que se dispõem a enviar e a sustentar missionários, pela FÉ.
(…)
Esta visão foi dada, pelo Senhor, quando quatro irmãs oravam, na tarde do dia 4 de Julho de 1974, na sala de oração da Igreja Evangélica de Vila Yara.

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